A internet está transformando as relações humanas em um pitch de elevador.

Como isso pode impactar a sua vida e dos seus filhos .

Pitch .É um termo usado no mundo dos negócios para definir uma rápida apresentação de sua empresa para um investidor ou futuro sócio. O tempo para essa apresentação foi diminuindo cada vez mais e hoje em menos de um minuto, ou o tempo de um “passeio de elevador” é o tempo que as empresas têm para seu pitch.

Nasci em 1979. Vivi minha infância na década de 80 e adolescência e começo da vida adulta na década de 90. Ou seja, uma época sem internet.
Na infância as brincadeiras eram praticamente todas na rua. Jogar bola, jogar beti (taco) , soltar pipa, correr, policia e ladrão. Lembro que ficava na rua até tarde após a aula e aos finais de semana. Na adolescência começava a ir na casa de amigos, recebê-los em casa, sempre pra brincar, jogar algum jogo de tabuleiro e no máximo um videogame, mas sempre estávamos o tempo todo conversando, discutindo, em contato próximo.
Recordo quando ia com meus amigos com 16, 17 anos alugar um filme na locadora, ficávamos quase 2 horas escolhendo, “brigando” por qual filme levar e depois andávamos mais uns 30 minutos até chegar na minha casa, mais duas horas vendo o filme e depois mais um tempo discutindo , conversando até todos irem para suas casas.
E o que acontece hoje? Sem dúvida a internet foi a maior revolução que vi desde que nasci, a possibilidade de aproximar com qualquer cultura, informação do mundo é fascinante. O acesso a coisas que demoravam meses, anos agora em alguns segundos temos isso nas nossas mãos. Sempre fui apaixonado por cinema, literatura, ler jornais e revistas. E muitas vezes ia à biblioteca da cidade para poder ler um pouco dos principais jornais.Hoje temos jornais e revistas do mundo inteiro no nosso celular, tablet e PC.
Ao mesmo tempo , o número cada vez maior de informações começou a nos afastar das pessoas , do contato humano. Isso atinge tanto adultos quanto crianças. As pessoas fazem happy hour, almoços em famílias mas cada vez mais durante a confraternização ou logo depois de saírem da mesa, todos correm para o seu celular e ficam imersos em suas bolhas tecnológicas. As crianças não deixaram de brincar mas hoje elas não conhecem o tédio, não entendem que podem ficar sem fazer nada e quando isso acontece a primeira coisa a fazer é pegar o celular, tablet dos pais ou até os seus próprios celulares, sim, temos crianças com 6, 7 anos que já tem seus celulares, e cada um vai jogar o seu jogo, ouvir sua música ou encontrar com algum “amigo”em algum jogo virtual.
O termo pitch que usei no título do texto vem daí. O tempo que temos um a um, olho no olho, sorrindo, conversando está cada vez menor, reduzido a um pitch de elevador.
Com isso começaram a ter cada vez mais pessoas com doenças psicossomáticas, estresse, depressão, ansiedade, porque hoje estamos online o tempo inteiro, antes saiamos do trabalho às 18h e só teríamos contato com o nosso chefe ou parceiro de trabalho às 8h do dia seguinte, mas agora podemos ser acionados o tempo inteiro. Antes de dormir checamos o celular, assim que acordamos checamos o celular, não podemos deixar que alguém saiba que vimos uma mensagem e näo respondemos ou quando mandamos mensagem para alguém ficamos ansiosos esperando uma resposta . Não queremos ligar e falar ao telefone, coisa antiga e ultrapassada isso. Que perda de tempo.
Agora os consultórios dos psicólogos estão cheios, a cada esquina tem um coach que vai te ensinar como melhorar sua vida, seu negócio, as igrejas aumentaram em tamanho, formato e tipos. Todos buscando uma ajuda externa.Os novos termos da moda são : mindfulness, meditação, respiração, coisa que lá atrás na década de 80, 90 quase ninguém falava ou usava, a diferença que as pessoas nessas época apenas viviam o dia a dia.
O que ainda temos em comum com essa época é que os dias ainda tem 24 horas. Ainda podemos tentar reaver esse tempo perdido. Não precisamos ir tão longe, é só querer escutar o outro, conversar, ir a pé em algum lugar, ligar para alguém. Deixar as crianças brincarem na rua ou no parque, sem celular, sem tablet.
Parece clichê e até poder ser mas não está tão claro e evidente isso? Não precisamos saber tudo que está acontecendo no mundo ao mesmo tempo, não precisamos ler todos os jornais, ver todas as séries, assistir todos os filmes, ler todas as mensagens dos grupo. Não vai dar tempo mesmo . Fique tranquilo.
E para finalizar Raul Seixas poderia atualizar a sua música dizendo: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante Do que ter aquela NOVA opinião formada sobre tudo”.

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